Friday, August 26, 2022

 O CURTA METRAGEM ILHA DAS FLORES - 3

A Constituição mantinha uma série de  prerrogativas não democráticas, que existiram antes  na constituição dita autoritária. Supostamente cria-se que a persistência (não apenas) constitucional da influência dos militares no Brasil, estava aliada ao “imperialismo” americano, que, segundo a mídia e o descontentamento social,  criara o agravamento da disparidade (ou o gap) entre ricos e pobres, o aumento das crescentes ameaças de revolta popular, num país, o Brasil, cuja economia era tida como a maior da América Latina, mas onde a maioria das pessoas vivia em extrema privação. Em função da crescente ameaça da influência do comunismo no país, - nas universidades, nos sindicatos, nas associações estudantis -  aliada à constante ameaça do autoritarismo militar, gerou-se um clima de insegurança,  e de mudanças  alternativas. De modo geral o clima de insegurança e ameaça na América Latina, nos países já mencionados, também contribuiu para o clima de instabilidade sociopolítico no país.  Havia realmente um clima de instabilidade política no Brasil, e isso foi visível na disputa que se estabeleceu entre dois partidos majoritários. De um lado Collor de Mello, representando o pequeno Partido da Reconstrução Nacional e do outro, Lula da Silva, do Parido dos Trabalhadores, visivelmente socialista, no segundo turno das eleições de  1989. Com Collor, veio uma maior instabilidade política, além de corrupção e inflação. Collor obteve o apoio de Sarney, e este tinha um apoio incondicional dos militares. De modo resumido e generalizado, tal era o clima de instabilidade política que vivia o Brasil na década de 80.           

 

ILHA DAS FLORES

 

    Com o crescente aumento da influência do socialismo no país, acima de tudo pela massiva influência das ideias de Marx nas universidades brasileiras[1], a partir do início dos anos 70, era comum observar-se que a mídia, os formadores de opinião, a classe política e a sociedade civil de modo geral se alinhavam cada vez mais com as ideias do ideólogo alemão. De modo sutil, mas consistente com tal ideologia, o curta metragem “Ilha das Flores” reflete influências do socialismo. Não somente em sua temática, ou seja, nas ideias que ele veicula, mas ainda no cenário, na amostragem das profundas diferenças sociais relatadas, na sua sequência


[1] Em relação à influência do Marxismo nas Universidades brasileiras nos anos 70, e através dos anos 80,  fui testemunha ocular desse fenômeno enquanto estudante do IFCS.( Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), da UFRJ., onde a grande maioria dos estudantes dessa época, quando não eram adeptos de partidos de esquerda, eram membros ativos de grupos marxistas, como a UNE, o PTB, de 81, o PDT. de 81, o PT. de 82, o PcdoB., de 88, o PSB. de 88 e o PSDB., de 89, todos eles com índole socialista, além de outros partidos marxistas surgidos a partir dos anos 90. Os anos 80 foram os anos da avalanche do Comunismo no Brasil.                

 O CURTA METRAGEM  "ILHA DAS FLORES" - 2


Em 1979, o regime Sandinista toma o poder na Nicarágua destituindo o regime ditatorial de Somoza. Algum tempo depois o governo sandinista se inclina drasticamente para a esquerda, mergulhando o país em guerra civil entre o governo Sandinista e os Contras antigovernamentais. Tal guerra civil estava no centro das disputas centro-americanas com Cuba e a União Soviética apoiando o regime sandinista e os Estados Unidos dando suporte político aos Contras. Percebe-se claramente, que as disputas políticas envolviam dois regimes política e ideologicamente antagônicos: Comunismo e Capitalismo. A revolução nicaraguense incendiou a guerra civil no El-Salvador entre o governo situacionista e as guerrilhas antigovernamentais. Um acordo de Paz na Guatemala fora  assinado em agosto de 1987, graças a esforços conjuntos de alguns países da A. Latina. Logo a seguir um acordo de cessar-fogo foi concluído em março de 1988. Mas as negociações para uma trégua em grande escala permaneceram improdutivas parando os movimentos de paz na A. Central. Em  89, porém, os presidentes dos 5 países centro-americanos se reuniram em El Salvador e acordaram um marco de paz elaborado com a participação das Nações Unidas. Os Estados Unidos estabelecem novas apólices políticas limitando ajuda aos Contra, a União Soviética aceita encerrar a ajuda de armas à Nicarágua a partir do fim de 88.  Com tais avanços, as eleições políticas na Nicarágua anunciam novo recomeço, como a um fator chave na estabilidade política na A. Central. Mas, com as guerras civis na região, em torno de 2 milhões de refugiados deixam seus países de origem, provocando um decréscimo populacional de 10% na região e crise acentuada na sociedade civil. 

No entanto,  dívidas acumuladas por tais países amontam a 4 vezes mais em relação aos níveis anteriores, em  torno de 60% em seu PIB., o que elevou seu débito para um  total de $442.5 bilhões de dólares até o final de 87. Com o aumento de seus debitos internacionais ano após ano, os países credores se tornaram ainda mais cônscios da necessidade de resolver tais pendências através de acordos internacionais. Em Janeiro de 88 o Brasil, que havia imposto uma moratória nos juros comerciais bancários, adota uma política de coordenação internacional. Decréscimo no PIB dos países subdesenvolvidos, motiva os países industrializados, com ajuda do Japão  e outras nações, a se moverem em apoio aos países da A. Latina, o que resultou em elevação da taxa de crescimento em 15% em 88, depois de queda na balança comercial em torno de 0.7% em 88 e de 2.5% em 87. Aumenta a taxa de exportação, o que eleva a balança comercial de $21.8 bilhões de dólares para $27.8 bilhões em 87. Mas as relações internacionais dos países da L. América, começam a se diversificar. O que ocorreu foi que a transferência para as regras dos governos civis na região, levou a movimentos para aprimorar os laços com os países comunistas, provocando a restauração das relações normais entre Brasil e Cuba em 87, a inauguração das  relações diplomáticas entre Uruguai e China em 88, e em 86, e depois desse ano, a Argentina, o Uruguai e o Brasil visitam pela primeira vez a União Soviética, estabelecendo relações mais próximas com os países comunistas. 

Havia, então, uma influência crescente do comunismo em muitos países da América Latina, o que se consolidou rapidamente, como já vimos, com a Revolução de 64, o regime de Allende no Chile, os Contra, e outros, incitando a contraofensiva da direita aliada aos americanos. Entre 1964 /1985 o Brasil experimentou o mais longo regime militar em sua história, que perdurou durante algumas décadas, pelo menos em termos das suas garantias constitucionais. Isso se justificou pelo fato de que na Constituição de 88, “os políticos não conseguiram questionar com firmeza os profundos legados do regime militar no Brasil. Além disso, os civis formalizaram constitucionalmente as prerrogativas dos militares, dando aos poderes abrangentes dos militares um viés democrático. Judicialmente, o processo de redação da Constituição de 88 foi democrático, no entanto, a essência do resultado não foi”.

Tuesday, August 23, 2022

O CURTA METRAGEM   "ILHA DAS FLORES" –  1                        

INTRODUÇÃO. 

   Minha primeira preocupação ao escrever uma resenha dessa natureza e magnitude, seria a de estabelecer o contexto histórico e social em que o evento veio à luz. Seria contraproducente e ingênuo não falarmos dele, o que significaria não darmos atenção ao efeito produzido pelo contexto social e até mesmo político, do fenômeno social, ou da representação da vida em sociedade. Para Howard Becker, logo no início de seu livro “FALANDO DA SOCIEDADE”, à pg. 17, “Uma representação da sociedade é algo que alguém nos conta sobre algum aspecto da vida social”, quer seja através de um livro, um grupo organizado de fotos, ou um documentário filmatográfico dessa natureza. Essa, parece ter sido originalmente a intenção dos produtores e do diretor do curta metragem. Representação que necessariamente evocaria a existência do contexto social em que foi utilizada e desenvolvida, razão pela qual seria impossível separarmos uma coisa da outra. Howard Becker nos alerta que “ Todas as representações servem como instrumentos pra resumir dados e ideias” (pg.83). O que pode significar também que elas servem como veículos poderosos de veiculação de conceitos ideológicos. Cabe aos analistas desse fenômeno, analisar o contexto em que o curta se projetou como realidade sociocultural, política e até mesmo geopoliticamente relacionada.

  O Brasil de 1989 nos revela e surpreende com muitas surpresas dentro de todos esses contextos. Aliás, foi nesse contexto que a produção foi realizada. “O produtor fornece o material em estado bruto (mas não tão bruto assim) engenhosamente escolhido e arranjado, sem dúvidas, mas depois disso cabe ao usuário construir a análise, com toda a sua parafernália.”(pg. 71) No entanto, cabe ao diretor revesti-lo com uma roupagem sociopolítica  e cultural, como observamos claramente no curta, cabendo a ele o privilégio de se utilizar das muitas dimensões a serem exploradas e das ideias a serem veiculadas. A dimensão a que nos referimos, ou a que faz alusão  o diretor, tem ressonância com o contexto em que se encontrava o Brasil nos anos 80, no final dessa década e através dos anos 90. Seria fácil observarmos, por exemplo, através de comentários feitos a respeito do curta, e por meio das imagens mostradas nele, que o filme “Ilha das Flores” reflete com evidência e clareza o contexto político-social do Brasil dos anos  80. Mas, afinal, que contexto foi esse?

   O BRASIL E AMÉRICA LATINA DOS ANOS 80 – MUDANÇAS EM SEUS LIMITES E FORA DELES.

  Os anos 80 foram compostos por drásticas mudanças no cenário político da América Latina de modo geral, onde uma onda de democratização efetuou uma mudança do poder político do governo militar para o civil. Sem dúvida, foram anos de profunda transição política. Quase todos os países foram “democratizados”  e a transferência constitucional do poder político tornou-se um lugar comum. Desde o início houve uma tendência marcada rumo à democratização, o que se efetivou através de eleições para presidentes e primeiros-ministros, realizadas notadamente em 1988 e 1989. Por exemplo, na Argentina e na Bolívia – que realizaram eleições presidenciais em 89 – tais eleições tomaram lugar pela primeira vez em 61 e 25 anos respectivamente, por meio da expiração de seus termos eletivos. No Paraguai, o regime de Stroessner, no poder  por cerca de 35 anos, foi deposto em fevereiro de 89 através de um golpe de estado, ao que se seguiram eleições presidenciais em maio do mesmo ano. Eleições no Panamá foram declaradas inválidas em maio de 89. Tais fatos indicaram que a América Latina como um todo estava em período de  transição democrática. Alguns países enfrentavam a deterioração da ordem pública devido ao terrorismo, aos problemas ligados aos cartéis das drogas e outros problemas sociais.  


Monday, August 15, 2022

 INTELLECTUAL LIBERALISM 2. 

For American culture, the rejection of such ideas implies the exclusion of the past which, in fact, exists as outdated and ultra-conservative forms. In view of this, it is necessary to agree with the rejection of religion, as the maximum expression of conservatism. Ultimately, America faces the dilemma of whether or not to accept atheism, considering it a social expression of non-evolutionary conservative thinking. And as a result of their illogicality, ideas that support the existence of God and the concept of religion are also rejected. As an example, the coming of immigrants to the United States is also rejected, as it is admitted that in some way, immigrants compromise the intelligence quotient of American culture, by projecting within the context of their culture, another cultural form, less culturally evolved, 

Monday, June 13, 2022

 

LIBERALISMO INTELECTUAL 1. 

O LIBERALISMO INTELECTUAL difere visceralmente em essência e conteúdo do Liberalismo Econômico. Nesse caso a mente humana adota intimamente uma concepção de liberdade aparentemente sem enganos para justificar-se como evidente e aceitável  não apenas no comportamento humano mas ainda na estrutura cognitiva da mente. Em essência tal liberalismo não se opõe a si mesmo através de qualquer forma de criticismo, mas se admite como uma forma, um conteúdo e um estereótipo inamovível e quase absoluto. E toda e qualquer forma de pensamento humano passa a ser aceitável pela criação imaginativa da mente humana e toda e quaisquer de suas exteriorizações. Confrontar o auto criticismo se torna praticamente impossível, em função das evidências da cultura americana em sua essência, de sua característica mais profunda que de modo abrangente  rejeita as ideias conservadoras. E rejeitá-las significa admitir que uma postura auto-consciente cre que elevar-se ou ascender-se a níveis de uma evolução cultural de última geração tende a rejeitar toda forma de conservadorismo, por admitir que as ideias conservadoras criam a fragilidade dessa cultura. Em outras palavras, no ciclo evolutivo da cultura não existe restrição do espaço para a imobilidade da cultura em todas as suas formas. Poderíamos perguntar então: cultura íntima do capitalismo pós-moderno? O que há de intrínseco dentro da cultura do capitalismo que busca a rejeição das ideias conservadoras? Diremos então, que a cultura americana procura anular as ideias conservadoras por temer que tal rejeição crie em síntese o flagelo da cultura. E para que tal cultura possa evoluir dentro da estrurura de sua dimensão cultural, isso significa projetar-se para além do futuro da cultura, o que implica simultaneamente a rejeição do passado da cultura em suas formas mais simples. Tal equivale dizer que dentro do espaço alcançado pelas formas culturais avançadas que eclodem no dia a dia, ainda existe epaço para um avanço mais amplo que formula a negação de tais formas avançadas por outras formas ainda mais avançadas. E isso implica num ciclo constante em sua estrutura íntima, cuja dialética representa a dialética da rejeição cultural e a profunda insegurança da própria evolução cultural.     

Sunday, April 10, 2022

 

AUTOESTIMA. ou self-esteem.

Em bases simples mas fundamentais, vamos mostrar agora o que vem a ser o conceito de AUTOESTIMA. 

Informações preliminares: a palavra estima é originária do latim aestimare que significa estimar ou avaliar, ou ter acesso aos valores ou à qualidade de alguma coisa. Em outras palavras, autoestima se refere às nossas autoavaliações positivas ou negativas. (Coopersmith, 1967). Algumas pessoas têm uma autoestima maior do que outras, um atributo que pode ter um profundo impacto na forma como as pessoas pensam e sentem a respeito de si próprias.  Como regra geral, a autoestima é um traço estável desde a infância até à velhice. Ou ainda, um componente efetivo de nosso “eu” consistindo nas autoavaliações positivas e negativas de uma pessoa.(Social Psychology – Kassin, Fein, Markus e Burke – 2013)

À página 43 de seu livro SOCIAL PSYCHOLOGY, 8th Editions, o autor David Myers nos dá uma pequena e suscinta definição do que vem a ser AUTOESTIMA.  Para ele autoestima significa: My sense of self-worth. O sentido que eu dou ao meu valor pessoal. Ou o sentido dado à minha autoestima. Em que direção eu conduzo o fato de eu gostar de mim mesmo. O sentido de meu próprio valor. À página 62 o autor descreve com mais detalhes o que vem a ser autoestima. Para ele “Self-esteem is a person’s overall self-evaluation or sense of self-worth”. Ou A autoavaliação geral de uma pessoa ou seu senso de autovalor. E o autor pergunta, ainda à página 62, se a autoestima é uma autoavaliação pessoal que reúne a soma de nossos esquemas pessoais  e de nossos “eus” possíveis?  Provavelmente. Aliás, outra pergunta nos ocorre: a autoestima tem a ver com a forma como nós a entendemos e o que cada um de nós pensa em aplicá-la reflexivamente a respeito de nós mesmos? Creio que sim. David Myers afirma essa individualidade aplicada à autoestima quando expõe sua definição à página 62/63 de seu livro. Segundo ele, “ Uma pessoa pode ter autoestima que a motive a ir bem na escola ou ser fisicamente atraente, enquanto outra pode ter autoestima que a motiva a ser amada por Deus e aderir aos padrões morais.”  Isso é o que podemos observar em outra definição, sustentada por Greenberg, Schmader, Arndt e Laundau em SOCIAL PSYCHOLOGY – The Science of Everyday Life (2015) à página 202, que diz o seguinte: “A autoestima é o nível de sentimentos positivos que nós temos a respeito de nós mesmos, na medida em que nós nos valorizamos a nós mesmos”. Nessa definição está claro que a autoestima se define como um componente autorreflexivo do “eu” onde as pessoas se atribuem valores ou avaliações positivas ou negativas de si próprios. (cf. SOCIAL PSYCHOLOGY, by Kassin, Fein, Markus e Burke, 2013, pag. 71).  E através desses últimos autores, percebemos que autoestima é definida como um “atributo” que tem um impacto muito profundo na forma com que nós pensamos e sentimos a respeito de nós mesmos. Além disso, o “sentimento” da autoestima não é uma única característica gravada permanentemente em pedra, como um atributo fixo, inamovível do “eu”. Mas, trata-se de um estado de alma que varia com certa frequência, em resposta ao nosso sucesso ou fracasso, mudanças na sorte, interações sociais, e outras experiências de vida. (Heatherton & Polivy, 1991, in opus cited, pg 71).      

  O BRASIL TEM SOLUÇÃO - 11 É óbvio e seguro que a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus, CONDENA   a idolatria de imagens. E o Vaticano CON...