IGREJAS
EVANGÉLICAS BRASILEIRAS NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – 29
Sua
Diversidade Eclesiológica e Doutrinária.

Existem, no entanto, duas propostas maiores que
precisam ser consideradas aqui, quando se trata de analisar a atuação das
Igrejas Brasileiras na América. Uma de tais propostas é a de analisar se a
Igreja tem em sua eclesiologia o direito, ou o dever, de orientar os membros de
seu corpo, nos valores que conduzam suas vidas não somente a nível espiritual,
como também em bases políticas. Na verdade, uma coisa é certa: a neutralidade
em assuntos e opiniões de caráter político que muitas vezes assola a igreja evangélica,
foge aos critérios de avaliação teológica do carater político delineado nas
entrelinhas do relato bíblico. Isso significa dizer que, se nós analisarmos o
discurso bíblico no AT e do NT fatalmente nós encontraremos o envolvimento de
homens, mulheres, patriarcas e profetas que se envolveram com o panorama político
de seus reis e rainhas, dentro dos Reinos aos quais se relacionaram
historicamente. A própria plataforma de
sustentação social da Igreja hoje, que dá suporte aos seus programas sociais,
ou, em outras palavras, sua visão dos programas de assitência social das
Igrejas, são os modelos de atuação que escondem um engajamento sócio-político
dentro da eclesiologia dessas igrejas evangélicas. A atuação da Igreja Cristã
Evangélica em movimentos internos de ajuda comunitária, delineiam sua proposta
político-social. E isso faz parte de seu compromisso e de sua agenda político-social.
Não há como negar. Aliás, a palavra “político” significa e define em seu
sentido original grego, “os negócios da cidade” ou o conjunto de atividades que
estão associadas com a tomada de decisões dentro dos diversos grupos sociais
que compõem o espectro político, ou em outras formas de relações de poder entre
os indivíduos, tais como as relações ou decisões relativas à distribuição de
recursos ou do status social dos indivíduos dentro dos diversos grupos sociais.
O ser humano é um ser político, como disse Aristóteles há alguns milênios atrás.
O homem vive dentro do contexto da polis em interação mútua. Assim também
acontece com as Igrejas que interagem dentro do contexto social, num contexto
dissimulado por sua agenda política, que se mantém quase inteiramente oculto,
por decisões pessoais estabelecidas pela cúpula dessas igrejas. E tal ocultamento
do envolvimento politico é traduzido muitas vezes por uma neutralidade interna,
que tem por objetivo maior, negar orientação política aos membros da Igreja,
como se tal orientação fosse denecessária, ou criasse um contexto de mundanismo
ou de heresia dentro das igrejas. A história dos povos bíblicos no Antigo
Testamento ilustra muito bem, como havia interação entre os Reis, o povo e
outros povos que interagiam com a nação de Israel em seus diversos períodos
históricos. E dentro desse contexto vemos a intervenção divina no cenário
político de cada reinado e nação. Os livros de Reis e de Crônicas ilustram
muito bem o que falamos. No Novo Testamento observamos a influência muitas
vezes negativa do contexto político não somente sobre a vida da igreja
primitiva em formação, bem como sobre a vida do próprio Jesus. E tal influência
sempre exigiu uma resposta também a nível politico. Jesus sempre sofreu as
consequências da intervenção do Império Romano, desde sua infância, através do
contexto sócio-politico em que viveu, o que o obrigava a reagir e tomar posições
também de carater político. No contexto histórico da igreja dos tempos
pós-modernos, nós observamos que a Igreja Evangélica precisa emitir orientação
que afeta a vida da Igreja, como a vida de seus membros. A Igreja evangélica
hoje, recebe influências políticas e sociais em todos os níveis de sua atuação dentro do contexto histórico,
desde que ela se propõe a existir como organismo social, no seu registro legal,
na sua existência como uma instituição social. Negar tal influência através do
neutralismo, significa pôr em risco sua própria existência como organismo social.
Isso quer dizer que a orientação política que a Igreja dá a seus membros inclue
alertá-los dos diferentes níveis ideológicos que circulam o contexto social. Um
exemplo disso, ocorre quando a Igreja deixa de orientar seus membros em
períodos de eleições presidenciais, mesmo sabendo que a influência ideológica
de um partido politico pode ser nefasta para a existência da própria igreja.
Tanto no Brasil da era Lula, quanto nas eleições presidenciais de 2020, nos Estados Unidos, a
ideologia política exerceu uma profunda influência nas decisões dos eleitores
em cada contexto. SE as Igrejas evangélicas brasileiras não souberam orientar
seus eleitores cristãos na hora do voto, teremos razões de sobra para lamentar o nível
nefasto de restrições impostas contra a Igreja, contra sua liberdade de
expressão religiosa, e contra sua própria existência como instituição. E a
falta de orientação nesse nível, que significa alienação ou neutralidade
política das igrejas, colocará as igrejas evangélicas brasileiras em sérios
problemas estruturais e no contexto de sua existência sócio-político e religiosa.
E isso nós observamos comumente ocorrendo dentro de nossas igrejas aqui nos
Estados Unidos, talvez por má interpretação do texto das Escrituras aplicado ao
contexto social em que as Igrejas sobrevivem.
